Não mexe comigo que eu não ando só




Ser mulher não é fácil, por várias questões presentes na nossa sociedade, agora ser mulher que anda na rua e usa os transportes públicos para se deslocar é presenciar e sofrer com determinados abusos. Transtornos e inconvenientes que acontecem todos os dias tornando nossa rotina mais difícil. Eu confesso para vocês que mudei alguns hábitos para evitar brigas, como: usar shorts quando vou pegar ônibus ou simplesmente sair na rua para ir para alguns lugares, por ser obrigada a ouvir piadas, insultos e palavras tão baixas que fico pensando como elas podem sair da boca de um ser humano. Te digo, ser mulher não é fácil, esse lema de afirmar que homem é homem e é assim mesmo, eu não sou obrigada a suportar, homem pode falar o que quiser e eu sou obrigada a ouvir? Respondo que não, já briguei com alguns por se ousarem a passar por mim e sussurrarem no meu ouvido sem eu nunca ter visto no mundo. Já empurrei, já corri até risco de algum desses resolver usar a força física, mas me sentir constrangida por ser mulher? Nunca me foi uma opção, quando sinto que existe alguma forma, uma possível tentativa de uma pessoa do gênero masculino de me constranger faço um carão com olhar fixo que intimida até a alma desse sujeito.

Não me comigo que eu não ando só,

Não mexe comigo, que eu não ando só,

Eu não ando só, que eu não ando só.

Não mexe não!

Não Mexe Comigo

(Carta de Amor, Maria Bethânia)

Não sou obrigada a ser objeto, exijo respeito, principalmente eu que vivo num meio praticamente 100% masculino. Me sinto invadida por ter que conviver com machismo e posturas inadequadas de alguns homens. Sempre me perguntei o motivo de ter que andar sempre com receio nas ruas para evitar olhares dos homens por vestir um vestido ou saia, desde quando a rua é um espaço reservado para homens? Em transportes públicos como ônibus, metrô e van os transtornos se tornam frequentes, acredito que é devido o espaço ser limitado e com pouca possibilidade de movimentação, torna uma pessoa mais vulnerável, já ouvi horrores sobre assédios nesses ambientes.

O que poderia ser feito para evitar isso? Acredito que a população precisa ter a consciência que denunciar é algo necessário, assim como ter punição para essas pessoas. Treinar os profissionais de trânsito, motoristas, cobradores, seguranças das estações e supervisores, para saber ouvir a vítima e informar o que pode ser feito, assim acaba até inibindo ações dentro desses transportes. Com a denúncia e punição esses indivíduos irão ter que arcar com a responsabilização dos seus atos que são conscientes que usam o gênero feminino como sendo frágil para uma possível violência.


O que é teu já tá guardado. Não sou eu quem vou lhe dar"

Não Mexe Comigo

(Carta de Amor, Maria Bethânia)

Dica de filme: Projeto documental - Umas às outras (For each other)




Dica de música: Não Mexe Comigo (Carta de Amor) - Maria Bethânia



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